quarta-feira, 4 de março de 2026

Com investimento de R$ 12 milhões, prefeitura entrega orla de Ipanema após 16 meses de obras

Participaram da entrega o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Germano Bremm, o prefeito Sebastião Melo e Vander Giordano, executivo da Multiplan

Participaram da entrega o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Germano Bremm, o prefeito Sebastião Melo e Vander Giordano, executivo da Multiplan

Cássio Fonseca/Especial/JC

Cássio Fonseca
Cássio FonsecaA prefeitura de Porto Alegre aproveitou o dia ensolarado, com o clima agradável, para fazer a última vistoria das obras de revitalização do calçadão de Ipanema, na Zona Sul. Nesta quarta-feira (4) pela manhã, o prefeito Sebastião Melo e o secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Germano Bremm, entregaram a reforma e justificaram seu longo período de duração, desde 10 de outubro de 2024.
Bremm frisou que foram muitos estragos e prejuízos na Capital após as enchentes, e que prioridades como escolas e estruturas vitais para o funcionamento da cidade receberam aportes mais urgentes. Outro ponto que o secretário frisa é que, apesar de a orla estar mais resiliente com a nova estrutura, não há um sistema de proteção de cheias.
Esse é outro trabalho, que exige mais estudos. Em 2026, inclusive, espera-se avançar no debate e apresentar aos moradores do bairro esta opção, que também exige debate com o governo estadual.
Melo relata otimismo para apresentar a solução, mas faz a ressalva que “será preciso buscar bilhões, bilhões e bilhões”. O projeto está sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e deve ser concluído até a metade do ano. Ele também se mostrou incomodado com as críticas que recebeu sobre a situação da cidade após as cheias e disse que a “culpa é de todos os governos, atuais e anteriores”.
O prefeito afirmou que será preciso tempo. A construção de um sistema de proteção de cheias é complexa, demora anos. Além disso, disse que Porto Alegre “não estará pronta, mas que estará melhor quando entregarmos o mandato”. 
Orla conta com nova estrutura, mas ainda não há um sistema de proteção de cheias | Cássio Fonseca/Especial/JC
Orla conta com nova estrutura, mas ainda não há um sistema de proteção de cheiasCássio Fonseca/Especial/JC


O prefeito ainda suplicou por colaboração da sociedade civil. Ele diz que já se iniciou a degradação das estruturas instaladas e, inclusive, subiu o tom em uma clara sinalização de incômodo ao falar sobre o caso. Ele acusa pessoas que vão ao calçadão para andar de skate e quebram os bancos de concreto, por exemplo.
Com a revitalização entregue, o investimento foi de R$ 12 milhões, através de um Termo de Conversão em Área Pública (Tcap) firmado com a empresa Multiplan, como contrapartida pela implantação do empreendimento Golden Lake, e abrange a extensão da avenida Guaíba entre as ruas Déa Coufal e Dos Tabajaras. O local recebeu um muro de concreto com 45 centímetros acima do nível do calçadão, além de uma estrutura de pedras que atua como quebra-ondas e reduz a força da água quando o Guaíba está revolto.
Também foram instalados três playgroundsquatro academias ao ar livrenovos bancos e lixeiras, além do plantio de cerca de 100 mudas de árvores, sete pontos de acesso à faixa de areia, por meio de rampas ou escadas, um núcleo de banheiros e oito churrasqueiras.
Por outro lado, as obras da ciclofaixa estão em andamento. Essa é uma reforma que não está atrelada à revitalização e recebe outro aporte. O trecho está pintado e em fase de finalização. Ainda assim, a população já utiliza o espaço, sinalizado pela pintura.
Entre as novidades estão novos bancos, lixeiras e o plantio de cerca de 100 mudas de árvores | Cássio Fonseca/Especial/JC
Entre as novidades estão novos bancos, lixeiras e o plantio de cerca de 100 mudas de árvores

Cássio Fonseca/Especial/JC 

 Empresas gaúchas fecharam 2025 com R$ 15,5 bilhões em dívidas negativadas, aponta Serasa

Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, o RS registrou mais de 491,9 mil empresas inadimplentes em dezembro de 2025

Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, o RS registrou mais de 491,9 mil empresas inadimplentes em dezembro de 2025

FREEPIK/DIVULGA??O/JC

JC
JCO Rio Grande do Sul registrou mais de 491,9 mil empresas inadimplentes em dezembro de 2025. Os dados fazem parte do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período analisado, as companhias do Estado somaram, em média, R$ 31.540,82 em dívidas negativadas, totalizando mais de R$ 15,5 bilhões em dívidas no RS.
Ainda no recorte por estados da região sul, o Paraná liderou com o maior número de empresas com contas em atraso (562.883). Já Santa Catarina apresentou o maior valor de dívida média por CNPJ no Sul (R$ 31.609,43).

Visão nacional

O ano de 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, mantendo o maior patamar da série histórica, segundo o levantamento. Ao todo, as dívidas negativadas somaram R$ 213 bilhões em dezembro. Na comparação com o mesmo mês de 2024, quando o País registrou 6,9 milhões de CNPJs inadimplentes, o aumento foi de aproximadamente 2 milhões de empresas no vermelho.

Perfil das dívidas e setores

Entre os setores das empresas negativadas no País, o de Serviços liderou com 55,2% do total em dezembro de 2025. Na sequência apareceram "Comércio" (32,7%), "Indústria" (8,1%), "Primário" (0,9%) e "Outros" (3,1%), categoria que contempla empresas do setor "Financeiro" e do "Terceiro Setor". Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume de negativações também esteve em Serviços (31,5%), seguido por Bancos e Cartões (19,3%). 

Micro e Pequenas Empresas concentram maior volume de CNPJs inadimplentes

Do total de empresas inadimplentes em dezembro de 2025, 8,5 milhões eram micro e pequenas empresas, que acumularam R$ 185,4 bilhões em dívidas. Esse grupo registrou média de 6,7 contas em atraso por companhia. "As micro e pequenas empresas, que representam cerca de 96% das empresas inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo. Em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação e de alongamento das dívidas fica reduzida.

 Fetransul projeta pedágio mais justo com fim da concessão dos trechos das BRs 116 e 392

Fim da concessão marca o fim definitivo do contrato de concessão com a Ecovias Sul e a suspensão temporária da cobrança de pedágios

Fim da concessão marca o fim definitivo do contrato de concessão com a Ecovias Sul e a suspensão temporária da cobrança de pedágios

TÂNIA MEINERZ/JC
Jamil Aiquel
Jamil Aiquel
A partir desta quarta-feira (4), trechos das rodovias BR-116 e BR-392 no Sul do Rio Grande do Sul passam a ser administrados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), marcando o fim definitivo do contrato de concessão com a Ecovias Sul e a suspensão temporária da cobrança de pedágios. O término desse ciclo encerra um histórico de embates entre a concessionária e os usuários da via, cenário no qual a Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do RS (Fetransul) assumiu uma postura combativa contra a permanência da empresa.
Para a Fetransul, a saída da Ecovias Sul é vista como uma vitória. Segundo Paulo Ziegler, diretor de infraestrutura da entidade, a federação trabalhou ativamente junto ao governo federal e ao DNIT para garantir que a transição ocorresse sem qualquer prorrogação de contrato, mesmo que de forma provisória. 
Segundo ele, a concessionária mantinha um histórico problemático com os transportadores de carga, caracterizado pela falta de diálogo e pelo uso constante de interditos proibitórios na Justiça para impedir protestos da categoria.
Nossa posição sempre foi contra a permanência da Ecovias, os motivos são muitos. Diversos transportadores de carga tiveram chamados interditos proibitórios obtidos na justiça pela Ecovias no período em que ela teve a concessão e que houve protestos e intenções de expressar situação com eles, que nunca se dispuseram a dialogar", ponderou
A tarifa cobrada pela Ecovias Sul, no valor de R$ 22,20, chamava a atenção por ser uma das mais caras do país em rodovias federais. A Fetransul aponta que, com a proximidade do fim do contrato e a demora do governo para o lançamento de um novo edital, a empresa mudou subitamente de postura e tentou se apresentar como a "solução provisória" em uma tentativa de se manter na administração das rodovias.
Com o fim da cobrança de pedágio nos trechos, existe uma preocupação sobre como será financiada a manutenção dos serviços nas vias, como socorro médico imediato e atendimentos mecânicos, antes garantidos pela Ecovias Sul. Ziegler, contudo, minimiza o impacto dessa mudança e classifica o temor como uma "narrativa".
Durante este período sem concessão, o atendimento a acidentes com vítimas seguirá a regra adotada no restante do estado, sendo realizado pelo SAMU do município mais próximo ou pelo Corpo de Bombeiros. Já os problemas mecânicos deverão ser cobertos por seguros particulares dos motoristas ou contratação de socorro privado.
“No Rio Grande do Sul, nós temos 5.700 km de rodovias federais comandadas pelo Dnit e a maioria delas se encontra ou bem conservada ou razoavelmente conservada e em nenhuma delas você tem ambulância e guincho. Isso é assim em todo lugar. Por que não poderia ser assim lá para Pelotas enquanto não se resolve a concessão?”, destacou.
Além disso, Ziegler demonstrou otimismo com o novo leilão e uma possível redução de tarifas. Segundo ele, a Fetransul enxerga o futuro dessas rodovias com bastante otimismo, considerando que o antigo contrato, assinado entre 1998 e 2000, já era tido como "anacrônico". 
Ziegler afirma que já teve acesso aos estudos completos sobre a nova concessão e confia que o novo modelo será bem mais moderno e estruturado. Uma análise preliminar dos estudos do governo indica que a tarifa de referência para o próximo leilão deve cair drasticamente, girando em torno de R$ 0,10 por quilômetro em pista simples e R$ 0,13 em trechos duplicados - o que, segundo ele, são valores equilibrados, compatíveis com o mercado.
“Estamos falando de uma concessão anacrônica, de um modelo que já nem existe mais. O Ministério dos Transportes e a ANTT aperfeiçoaram muito o modelo de concessões, que hoje são bem estruturadas do ponto de vista dos projetos e dos preços. Pode ser que o vencedor do leilão ofereça um desconto ainda melhor, mas os estudos mostram um valor um pouquinho abaixo do que se cobra hoje e que consideramos uma tarifa equilibrada. Como os compromissos de investimento não são da mesma grandeza de outras vias, isso explica por que é um pouco mais barato e nos faz confiar numa boa solução", ponderou.